quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ouve, Poeta Romantico

Meu poeta,
Mantenho-me nesta limitação
De observar o que em ti não é secreto,
Detida entre o choque e a admiração
De sentir um profeta
No seu templo de dor e paixão repleto.


Meu poeta,
Abrigas-te nos braços de quem te quer mas não te compreende
A tua deusa da noite, o demónio de luz
Devoram-te a alma com as entranhas
Cuspindo-te em sangue de palavras, angústia e pus.
Desprezam as tuas façanhas
Aventuras que nem o teu coração entende.


Meu poeta,
Tento compreender-te mas não consigo
Pois não resides nem viverás jamais num mundo paralelo
O teu, habitado de flores, labirintos, estrelas e eternos castigos
É dominado pelos extremos do inferno e do belo.


Meu poeta,
Contigo adorei as romarias e as sepulturas,
Voei contigo agarrando e bebendo as alvoradas,
Ambos construímos castelos de infinito,
Com janelas para a evasão, com versos em doces esculturas,
Clamámos odes à liberdade dourada,
Abraçámo-nos quando a razão em dúvidas te afogava.


E no entanto, meu poeta
Não entendo
A tua vida tem nome de sofrimento,
O teu peito respira um perpétuo lamento.
Na tua glória sobrevives num abismo
Onde a realidade é puro surrealismo.

Autor Desconhecido

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